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quarta-feira, 10 de Março de 2010


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Introdução
Com a publicação da Lei nº 1/90 de 13 de Janeiro, do Decreto-Lei nº 144/93 de 26 de Abril e da sua legislação complementar, depara-se aos Clubes e praticantes desportivos uma possibilidade nova de associação e representação que muito pode contribuir para o desenvolvimento das modalidades a que se dedicam.

O Todo Terreno é um desporto que se tem desenvolvido desde 1982, ano em que foi fundada a 1ª associação representativa, na sequência da também 1 ª participação de equipas portuguesas no Rali Paris-Dakar.

Passados 20 anos contam-se por milhares os possuidores de veículos e motos todo terreno, realizando-se anualmente mais de 3 centenas de actividades legalmente organizadas, entre as quais uma CONCENTRAÇÃO NACIONAL TT, a EXPO AVENTURA, e desde 2001 um CONGRESSO NACIONAL, este de dois em dois anos. O número de actividades e entidades organizadoras não tem parado de crescer.

 
O Todo Terreno turístico ou de lazer e o T. Terreno de competição
A partir de 1985 verificou-se uma clara separação entre o todo terreno turístico ou de lazer- os chamados Passeios- e o todo terreno de competição.
São considerados Passeios ou Raides, as actividades destinadas a veículos 4x4 ou motos, de carácter turístico, cultural e de descoberta , em que não existe qualquer tipo de competição ou classificação: não há tomadas de tempos, não existem classificações, e são recomendadas baixas velocidades e respeito pelos outros e acima de tudo pelo meio ambiente. Os seus percursos são geralmente estabelecidos de forma a proporcionarem a descoberta de locais não acessíveis à generalidade dos veículos, utilizando-se preferencialmente trilhos e caminhos florestais.

O Todo Terreno de competição é outra modalidade, claramente distinta, já que nela participam pilotos e máquinas especialmente preparadas, integrando-se num Campeonato Nacional e cumprindo regras típicas das competições desportivas automóvel (classificações, prémios, etc.).
No seio desta Federação coexistem, neste momento, estas duas modalidades dado que, a partir de 2002, assumiu a organização do Campeonato Nacional de Orientação e Trial dirigido a viaturas 4x4.

 
O Todo Terreno Turístico: Desporto de Recreação
O Todo Terreno Turístico, de lazer ou não competitivo é, portanto, enquadrado no conceito de desporto de recreação, umas das vertentes da prática desportiva prevista na Lei 1/90 e, como tal, objecto de fomento e protecção.

A sua prática correcta e organizada constitui também um factor cultural, que contribui para a formação da pessoa humana e para o desenvolvimento da sociedade.

Esta Federação inscreve, como obrigações nas actividades que os seus filiados promovem, os conceitos de solidariedade, descoberta cultural, respeito pela propriedade privada, pelos interesses dos agricultores e utilizadores da natureza e, em especial protecção empenhada do património natural e ambiental.

Finalmente, e o mais importante de tudo: importa praticar a modalidade apenas em locais legalmente autorizados ou em que a passagem dos veículos não agrida o ambiente e a natureza. O nosso lema “AMIGOS DA NATUREZA, AMIGOS DO AMBIENTE”, transformou-se recentemente em protocolo com o Instituto de Conservação da Natureza, o que confirma a nossa preocupação em praticar a modalidade com espírito “verde” e amigo do ambiente.

São estas características que justificam o enorme apoio das autoridades públicas, nomeadamente as Autarquias e Regiões de Turismo, que frequentemente solicitam aos nossos associados a organização de passeios como forma de divulgação das suas potencialidades

Em suma, o Todo Terreno Turístico obedece a princípios sãos e correctos, que importa manter.

 
O Todo Terreno Turístico e o ambiente
Importantes acções pedagógicas dirigidas aos praticantes, completadas com o plantio de árvores, limpeza de praias e floresta, colaboração na prevenção e detecção de incêndios, etc., culminou na aprovação do CÓDIGO DE CONDUTA DO PRATICANTE de Todo Terreno que se apresenta em anexo e que constituiu a forma de colmatar a inexistência de regras para a conciliação da prática do Todo Terreno com a defesa da natureza.

 
A necessidade de regulamentação do Todo Terreno Turístico
Hoje em dia são inúmeras as associações e entidades que promovem passeios TT em consequência, por um lado, da proliferação de veículos todo terreno, do desejo de evasão e desafio, de divertimento saudável e, por outro, do seu valor como factor de animação e promoção turística altamente acarinhado por algumas autarquias e pelas suas populações.

Por isso, para além dos clubes, muitas outras entidades públicas ou privadas – as próprias autarquias, bombeiros, clubes recreativos ou profissionais, empresas, comissões de festas, etc.- organizam actividades deste tipo, obedecendo apenas aos critérios que livremente decidem adoptar e, mais grave, com autorização de alguns Governadores Civis!!

Sentem por isso, os Clubes e Associações Portuguesas, representados pela FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE TODO TERRENO TURÍSTICO, deverem mais uma vez abordar esta questão, estudando e fazendo cumprir, em colaboração com os organismos governamentais, normas mais rígidas e penalizações para os infractores.

 
A Federação Portuguesa de Todo Terreno Turístico: o que é?
A Federação Portuguesa de Todo terreno Turístico nasceu em 17 de Abril de 1993, por iniciativa de 15 Clubes e entidades de todo o país, organizadoras de Passeios TT.

Em 1995 é criado o CÓDIGO DE CONDUTA DO PRATICANTE de Todo Terreno, que de imediato é implementado e fiscalizado por Comissários nomeados para os eventos dos associados. A aplicação deste Regulamento deu-se em 10 de Junho de 1995 com a nomeação do 1º delegado a um passeio em S. João da Madeira (Turbo Clube).

A elaboração de calendários, o relacionamento entre associados, a promoção da modalidade e os contactos a nível internacional eram preocupações da altura.

Ainda em 1995, realiza-se o maior evento TT de sempre em Portugal: a 1ªConcentração Nacional, na vila da Lousã, na qual se reuniram mais de mil praticantes da modalidade.

No início do próximo mês de Outubro realizar-se-á a 8ª Concentração Nacional, em conjunto com a 5ª Expo Aventura - feira e promoção de filiados, mostra de veículos e material TT e diversas formas de desporto-aventura.

Conforme Declaração de Paris, em 8 de Fevereiro de 1998 foi constituída a “Confederation Européene des Loisirs Verts”, da qual a Federação Portuguesa de Todo Terreno é também fundadora, juntamente com a França, a Inglaterra, a Espanha, entre outros países.

A partir de 2000, começa a árdua tarefa de trazer até à Federação Portuguesa de Todo Terreno Turístico o maior número possível de filiados. Dos cerca de 50 existentes naquela altura, hoje somos já 141. Este número engloba Madeira e Açores e cobre todo o território continental. Estima-se que existam, actualmente, mais de 50.000 praticantes.

Nesse mesmo ano, e com carácter de obrigatoriedade, todas as actividades tuteladas por esta Federação passaram a ter seguros de Responsabilidade Civil.

Inúmeros protocolos foram assinados e implementados quer com Comunicação Social quer com prestadores de serviços, com patrocinadores e outros.

Esta Federação tem vindo a integrar-se, com maior regularidade, nas actividades da Confederação do Desporto de Portugal da qual é associada.

O 1º Congresso do Todo Terreno foi uma realidade e um sucesso, em Novembro de 2001, em Vilamoura, Algarve. O próximo será em 2003, na Guarda.

Em 30 de Abril de 2002, foi assinado o atrás referido protocolo com o Instituto de Conservação da Natureza, cujos três princípios fundamentais são: a promoção turística, a preservação do ambiente e a organização de eventos com inequívoca qualidade e segundo inquestionáveis princípios de organização e segurança.

Em Agosto de 2002 esteve uma delegação da FPTT em França, Vale d`Isère, repetindo a presença em 1995, no maior salão mundial de veículos 4x4. Em encontro com os congéneres franceses foi possível abordar problemas comuns da modalidade. O reconhecimento pelo Governo francês da nossa congénere que tutela o Todo Terreno em França, foi factor determinante para que a sua prática tenha vindo a ser verdadeiramente regulada.

Também no presente ano assumimos a realização do Campeonato Nacional de Navegação e Trial, prova de competição que decorrerá até ao final do ano e que tem a edição de 2003 já garantida.

O Cartão de Praticante, um dos mais importantes objectivos da Federação Portuguesa de Todo Terreno Turístico está em adiantada fase de implementação e tem como principal objectivo a elaboração de um levantamento exaustivo do número de praticantes da modalidade, bem como garantir que a prática do todo terreno se fará de acordo com as normas definidas.

 
A FPTT- uma Federação de Clubes organizadores
Em Portugal, neste momento, os praticantes regulares de todo terreno ou estão filiados em Associações ou Clubes de sócios ou praticam a modalidade sem qualquer filiação.
Ao contrário do que sucede com outras modalidades competitivas em que existe a necessidade de protecção dos atletas, profissionais ou amadores, no âmbito do Todo Terreno Turístico o carácter de desporto de recreação não enquadra esse tipo de questões.

Optaram, por isso, os Clubes e Associações, por uma Federação em que são sócios as entidades representativas dos praticantes e não os próprios praticantes, dando assim cumprimento, na parte aplicável, ao estatuído no Decreto-Lei nº 144/93 de 26 deAbril.

Os objectivos da Federação constantes dos Estatutos anexos são:

a) promover, regulamentar e dirigir a nível nacional a prática do Todo Terreno Turístico e algumas vertentes de competição (trial, por ex);
b) representar perante a Administração Pública os interesses dos seus associados;
c) fazer cumprir as Normas de Conduta para a prática do Todo Terreno Turístico,
contribuindo para a defesa do Ambiente e da Natureza;
d) efectuar a coordenação e ligação entre Clubes e entidades organizadoras;
e) fazer-se representar junto de organizações congéneres estrangeiras ou internacionais;
f) Incentivar a participação cívica organizada.

A representatividade que lhe é conferida pela adesão dos principais clubes e entidades ligadas à modalidade e a participação activa dos seus dirigentes são a garantia do eficaz cumprimento destes objectivos.

A Federação Portuguesa de Todo Terreno Turístico não foi criada para gerar lucro pessoal (embora tenha que pagar aos seus colaboradores e envolver-se em actividades que geram rendimento, não distribui lucros nem excedentes aos seus membros e directores); foi formadas voluntariamente, sendo igualmente voluntária a participação nas suas estruturas e actividades; possui um certo grau de existência formal ou institucional, possuindo estatutos e sendo responsável perante membros e patrocinadores; é independente de partidos políticos ou organizações económicas e não existe para se servir a si mesma, mas actuar no espaço público, visando a prossecução do bem estar das pessoas em geral, e em particular do seu grupo-alvo – os praticantes de Todo Terreno, reunindo, desta forma, todas as características de Organização Não Governamental.

Ao requerer a concessão de Estatuto de Utilidade Pública Desportiva, pretende a Federação Portuguesa de Todo terreno Turístico ser reconhecida pela Administração como a entidade capaz de contribuir para o mais correcto desenvolvimento da modalidade sempre dentro das normas de segurança, civismo e respeito pelo ambiente.




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